A sigla ESG para Environmental, Social and Governance — Ambiental, Social e Governança — está chamando a atenção dos investidores. É assim que eles avaliam a gestão de risco ESG e como as empresas mitigam esses riscos a fim de garantir sua sustentabilidade de longo prazo como negócio.

A maioria das empresas têm planos para identificar e gerenciar os riscos operacionais da Gestão de Ativos Empresariais (ou EAM). Mas considerar a potencial ocorrência de riscos ESG que uma empresa pode enfrentar é de suma importância. Embora seja difícil prever eventos como furacões, pandemias e violações de regulamentos, estar preparado ou mitigar o impacto ajuda a evitar efeitos devastadores em uma organização com muitos ativos. Sem contar que também é benéfico para seus funcionários e acionistas.

Neste artigo, vamos explorar os fatores de risco ESG, bem como as operações de manutenção desempenham um papel crítico na gestão de risco ESG. Além disso, elas contribuem para a avaliação dos investidores. Então, boa leitura!

“Em 2020, o mundo aprendeu uma lição difícil: apesar de nossos planos mais bem elaborados, não sabemos o que está por vir. Em 2021, esse aprendizado reforça nossa visão de que uma abordagem sustentável de longo prazo centrada em princípios ambientais, sociais e de governança (ESG) é mais importante do que nunca.”

S&P Global, Seven ESG Trends to Watch in 2021

Definições ESG

Vamos começar com algumas definições de ESG e o que elas significam para as operações de manutenção. A Wikipédia descreve Ambiental, Social e Governança (ESG) como uma “avaliação da consciência coletiva de uma empresa em relação aos fatores sociais e ambientais.

De modo geral, é uma pontuação compilada de dados coletados com base em métricas específicas relacionadas a ativos intangíveis dentro da empresa. Assim, pode ser considerada uma forma de pontuação de crédito social corporativa… É usada ​​para uma infinidade de propósitos específicos com o objetivo final de medir os elementos relacionados à sustentabilidade e ao impacto social de uma empresa ou negócio.”

Em essência, ESG é uma medida adotada pelos investidores para identificar a resiliência, os riscos e as oportunidades de crescimento da empresa. Dividindo o conceito, as três categorias de avaliação cobrem:

  • Ambiental: “A parte ambiental do ESG considera a atuação de como uma empresa atua como guardiã do ambiente físico. O “E” leva em conta o uso de recursos naturais e o efeito de suas operações no meio ambiente, tanto em suas operações diretas quanto em suas cadeias de abastecimento”;
  • Social: “Como uma empresa pode gerenciar suas relações com sua força de trabalho, as sociedades em que atua e o ambiente político? Esta é a questão central por trás do “S”. Portanto, é o aspecto social do investimento sustentável”;
  • Governança: “A S&P Global avalia o desempenho da governança das empresas a partir de quatro fatores — estrutura e supervisão, código e valores, transparência e relatórios e risco cibernético e sistemas”.

O papel da manutenção na gestão de risco ESG

Então, como isso é relevante para as operações de manutenção? Vamos avaliar ESG e gestão de risco com base no processo de documentação dos riscos ESG para investidores.

Os investidores estão tentando avaliar se uma empresa tem “os meios para lidar com a situação, a resiliência e a sustentabilidade futura da corporação. Um componente crítico disso é a informação sobre o risco. Falhar em fornecer aos provedores de capital uma avaliação confiável dos riscos aumenta a incerteza sobre o desempenho esperado e a viabilidade de longo prazo da empresa individual. E também leva a um aumento no custo de capital e, em última instância, a uma má alocação dos recursos da sociedade”.

OECD Business and Finance Outlook 2020

O processo de gestão de riscos ESG é semelhante ao gerenciamento de quaisquer outros riscos que possam representar uma ameaça para uma empresa. No entanto, diferentes conhecimentos, informações e ferramentas analíticas podem ser necessários.

Em empresas com uso intensivo de ativos, as operações de manutenção podem desempenhar um papel importante no gerenciamento de riscos ESG. Os gerentes de manutenção já são qualificados no planejamento e implementação de estratégias para evitar falhas de equipamentos com manutenção preventiva e preditiva. Desse modo, eles podem usar essas mesmas habilidades para criar planos e procedimentos a fim de detectar e responder a eventos de risco ESG.

1. Identificar Riscos ESG Potenciais

A primeira etapa na gestão de riscos ESG é identificar todos os possíveis riscos ESG internos ou externos dentro da manutenção industrial a partir de uma perspectiva de criação, mitigação ou resposta. Avalie seu histórico de eventos e o que outras pessoas enfrentaram.

Riscos ambientais

Os riscos ambientais internos a serem considerados incluem o gerenciamento de materiais perigosos, bem como as emissões de substâncias tóxicas. Já os riscos ambientais externos incluem o impacto de condições meteorológicas extremas nos equipamentos e na capacidade de sustentar as operações. O terrorismo também é um risco ambiental a ser levado em conta — tanto o risco físico aos ativos quanto o efeito dos ataques cibernéticos nas redes e no acesso aos dados. Alguns exemplos a considerar:

  • Desastre ambiental: Em abril de 2010, a plataforma de petróleo Deepwater Horizon da BP explodiu no Golfo do México. Com isso, criou o maior derramamento de óleo marinho da história, o que impactou significativamente a biodiversidade. A causa foi a construção de um poço com defeito. De acordo com o ESG Risk Guard, a conta total chegou a cerca de US$65 bilhões entre multas e custos de limpeza. Isso sem mencionar o golpe que os acionistas sofreram;
  • Evento climático extremo: Furacões, tempestades de inverno, calor excessivo e inundações podem afetar equipamentos em tempos normais (e muito). Em fevereiro deste ano, o estado do Texas, no sudoeste dos Estados Unidos, sofreu uma grande falta de energia. Mais de 5 milhões de pessoas ficaram sem energia. Segundo o Texas Tribune, “a causa mais significativa do baixo fornecimento de energia à rede veio de usinas de gás natural fechando ou reduzindo a produção de eletricidade devido ao clima frio, falhas de equipamento e escassez de gás natural”;
  • Falta de energia: A falta de energia pode aumentar os custos e reduzir a eficiência operacional. Hoje, o mundo está passando por uma crise energética global. No Brasil, uma seca histórica causou uma forte redução na produção de energia hidrelétrica. De acordo com a Bloomberg Green, “o Brasil está à beira de um racionamento de energia e grandes apagões e precisará depender da importação de suprimentos do Uruguai e da Argentina até o início da estação das chuvas e o reabastecimento das represas”. Além do impacto nas operações da concessionária, qualquer empresa que dependa de um fornecimento consistente de energia deve ter planos para lidar com um cenário assim, visando à sustentabilidade de suas operações.

Riscos sociais

Os riscos sociais podem resultar de problemas internos de trabalho, violações de segurança ou problemas de qualidade do produto. Um risco social externo a ser considerado é a violação dos direitos humanos por um membro de sua organização ou parceiro da cadeia de suprimentos, o que reflete de forma negativa em sua empresa. O que avaliar:

  • Escassez de talentos: A pandemia de COVID-19 interrompeu muitos trabalhos de forma imediata e os procedimentos de segurança. Apesar da possibilidade de trabalhar em casa, esse não era o caso das equipes de operações de manutenção. As empresas enfrentaram redução na manutenção de ativos e de pessoal, além de paralisações. Uma pesquisa da Plant Services do início de 2021 descobriu que, como resultado da pandemia, “a maioria dos entrevistados precisava de um programa de saúde e segurança mais forte, além de um programa de planejamento e programação melhor”;
  • Ambiente de trabalho inseguro: Considere as ramificações de avaliação da empresa por não seguir os padrões de segurança, o que pode conduzi-la à “inconveniente lista” da OSHA. O Programa de Execução de Violadores Graves (SVEP) da OSHA foi criado para “…direcionar efetivamente os esforços de execução a quem demonstra indiferença à saúde e segurança de seus colaboradores por meio de violações intencionais, repetidas ou omitidas da Lei OSH”;
  • Contaminação de alimentos: as empresas de alimentos e bebidas precisam considerar doenças transmitidas por alimentos a partir do manuseio impróprio e da contaminação durante a fabricação ou distribuição.

“Recalls e doenças transmitidas por alimentos são 100% evitáveis. Os incidentes ocorrem devido a erro humano. Ou seja, é um elo fraco para causar problemas sérios — e potencialmente fatais. Aliás, um elo fraco pode causar mortes traumáticas e/ou doenças, além de custar bilhões de dólares à sua empresa, perda de vendas, queda nos estoques, cobertura negativa da mídia e uma reputação gravemente danificada”.

Francine L. Shaw, Foodborne Illnesses and Recalls on the Rise

Riscos governamentais

Geralmente, os riscos de governança são avaliados em torno de estrutura, princípios e processos corporativos. Isso inclui como os valores e políticas definidos no topo se propagam em processos internos, documentação e supervisão. Tudo com o objetivo de alinhar a ação da empresa à criação de valor ESG e gestão de risco.

Para as equipes operacionais, isso incluiria treinamento, documentação e acompanhamento com o intuito de garantir que a empresa siga os procedimentos de segurança e qualidade. Já destacamos alguns exemplos em que o resultado de uma governança inadequada pode resultar em incidentes de segurança e contaminação de alimentos.

2. Priorizar Riscos ESG

Nem todos os riscos ESG são iguais. Por isso, devem ser avaliados com base em sua probabilidade de ocorrer e no grau de interrupção potencial das operações. Uma forma de conduzir essa avaliação é com o Modo de Falha e Análise de Efeitos (FMEA). Este método classifica os eventos de risco de acordo com a probabilidade e gravidade, permitindo catalogar os riscos como críticos, vitais ou secundários.

Vários métodos podem ser usados, mas o importante é considerar a probabilidade de ocorrência de riscos ESG. Sem contar o grau de impacto que resultaria deles, além das causas básicas, para definir as estratégias de mitigação.

3. Desenvolver planos para mitigar ou responder aos riscos ESG

Infelizmente, as estratégias tradicionais de manutenção preventiva e preditiva de Gestão de Ativos Empresariais não protegem as empresas de todos os riscos ESG. Por isso, é importante criar planos e documentar procedimentos para responder à ocorrência de possíveis eventos de risco ESG. Reserve tempo e esforço para focar nos riscos com maior probabilidade de ocorrer e maior potencial para interromper as operações.

As empresas de petróleo, gás e utilidades precisam desenvolver planos para restaurar linhas de energia ou tubulações após um terremoto ou qualquer outro desastre natural, por exemplo. Esse planejamento deve definir procedimentos para as seguintes situações: como os colaboradores chegam a locais remotos, quais ativos são prioritários, quais equipamentos adicionais serão necessários e como serão adquiridos.

Ao criar o planejamento de um risco ESG, avalie se você precisa alterar seus processos de coleta de dados para determinar investimentos com o intuito de detectar ou mitigar melhor um risco ESG. Dados normais de manutenção sobre a condição do ativo, uso do ativo e histórico de manutenção podem ser úteis na análise de risco ESG e nos planos de mitigação, quando bem estruturados para análises e percepções.

4. Criar transparência com a documentação

Desenvolver planos de prevenção e mitigação de riscos ESG é importante, mas documentar todos os processos também. A documentação de seus procedimentos de resposta é a prova para conquistar a confiança do investidor em sua prontidão e resiliência caso o evento ocorra. Claro, a documentação também é necessária para colocar um plano de resposta em ação. Profissionais chave devem estar familiarizados com os planos e saber onde encontrá-los em tempos de crise.

O acesso aos sistemas ERP em qualquer lugar, a qualquer hora e por qualquer pessoa a partir de dispositivos móveis demonstra prontidão para responder rapidamente a qualquer evento de inatividade, incluindo um evento relacionado ao ESG.

5. Contribuir com planos de investimento de longo prazo

No plano, devem constar os riscos ESG que foram identificados, bem como os planos de resposta e os dados usados ​​para desenvolvê-los. Além disso, o plano precisa definir todos os investimentos necessários para reduzir os riscos ou melhorar a capacidade de resposta.

Para ilustrar, o plano ESG pode incluir recomendações de investimento em tecnologias de planta inteligente com o objetivo de prever e gerenciar a resolução de riscos de alta prioridade. Algumas das tecnologias preditivas podem parecer um luxo para a manutenção diária de ativos, mas são essenciais para lidar com um evento ESG.

Os sensores do equipamento podem oferecer indicações críticas de quando um evento ESG está ocorrendo. Um sensor em uma linha de energia pode alertar as operações de manutenção sobre a alta velocidade do vento. Um sensor que monitora a temperatura do equipamento externo pode disparar uma ordem de serviço se as condições se tornarem muito quentes ou frias demais antes que os danos ocorram. Até mesmo monitorar se o equipamento está ligado ou desligado pode ajudar a isolar os reparos necessários no caso de um ataque terrorista ou desastre natural.

“Continuar a depender de plantas e equipamentos que consomem muita energia, por exemplo, pode drenar dinheiro. Embora os investimentos necessários para atualizar suas operações possam ser substanciais, optar por esperar pode ser a opção mais cara de todas”.

McKinsey, 5 Ways that ESG Creates Value

Por fim, considere como parte de seu plano ESG o investimento em materiais e práticas de manutenção ambientalmente seguros e com redução de energia.

6. Monitore e adapte os planos de forma contínua

“Quando novos riscos aparecem, ou riscos existentes se tornam mais evidentes, é inevitável que a empresa, reguladores, acionistas, credores e stakeholders com interesse no valor de longo prazo da empresa, insistam que esses riscos sejam devidamente identificados, medidos, mitigados e divulgados”.

Corporate Governance and the Management of ESG Risks, OECD iLibrary

Criar um plano de resposta ESG é uma grande tarefa, mas é importante não colocá-lo na prateleira depois de concluir. Os planos devem ser monitorados, revisados e atualizados com frequência para considerar quaisquer mudanças nos riscos que sua empresa enfrenta ou a probabilidade de ocorrerem.

O planejamento ESG e a boa governança na gestão de operações de manutenção podem ter um impacto material nos efeitos ambientais e sociais da empresa em tempos normais e em resposta a eventos. Para a avaliação dos investidores, você também precisa de práticas de manutenção eficazes, além de ferramentas de planejamento e documentação como prova de prontidão e resiliência.

Como a Sigga pode ajudar

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Nosso aplicativo Mobile EAM oferece acesso total aos procedimentos de segurança e resposta, mesmo em áreas de baixa conectividade, como barragens, estações de transmissão elétrica e refinarias de petróleo. Nosso app também ajuda seus técnicos a capturar com precisão os dados estruturados que você precisa para criar seu plano de gestão de risco ESG, protegendo, assim, seus ativos críticos.

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